A DC Comics esteve no centro de duas polémicas que dominaram a atualidade da banda desenhada norte-americana. A primeira envolveu a saída dos autores J.H. Williams III e W. Haden Blackman da série Batwoman, enquanto a segunda resultou de um concurso promovido pela editora para selecionar um desenhador para o primeiro número da nova revista de Harley Quinn.
A decisão de Williams III e Blackman de abandonarem Batwoman surgiu após a editora ter recusado a realização do casamento entre Kate Kane e Maggie Sawyer, uma história que já tinha sido aprovada e se encontrava em desenvolvimento. Como Kate Kane é uma das mais conhecidas personagens lésbicas da DC Comics, a decisão motivou críticas por parte de leitores e criadores, que acusaram a editora de discriminação. Em resposta, a DC esclareceu que a política editorial da época consistia em evitar casamentos entre personagens principais, independentemente da sua orientação sexual.
A controvérsia agravou-se quando alguns funcionários da editora receberam ameaças de morte por parte de indivíduos anónimos, situação amplamente condenada pela comunidade da banda desenhada.
Poucos dias depois, a DC voltou a ser alvo de críticas devido ao lançamento de um concurso destinado a encontrar um artista para ilustrar uma página da nova série de Harley Quinn, escrita por Jimmy Palmiotti e Amanda Conner. Uma das vinhetas propostas descrevia a personagem nua numa banheira, rodeada por eletrodomésticos suspensos, numa cena que sugeria uma tentativa de suicídio.
A iniciativa foi alvo de forte contestação por parte de leitores e profissionais da área, tanto pela utilização do suicídio como elemento humorístico como pelo facto de o anúncio ter coincidido com a Semana Nacional de Prevenção do Suicídio nos Estados Unidos. O episódio reacendeu igualmente o debate em torno da crescente sexualização da personagem desde o relançamento editorial dos Novos 52, contrastando com a versão originalmente criada por Paul Dini e Bruce Timm para Batman: The Animated Series.
Entretanto, a DC anunciou rapidamente Marc Andreyko como novo argumentista de Batwoman. O autor era já reconhecido pelo trabalho desenvolvido em séries como Manhunter, protagonizada por Kate Spencer, bem como pela colaboração com Brian Michael Bendis em Torso. A sua experiência na escrita de protagonistas femininas foi vista como uma escolha destinada a assegurar a continuidade da série.
A mudança levantou, no entanto, algumas dúvidas entre os leitores, uma vez que o número 25 de Batwoman, aquele que marcaria a estreia de Andreyko, já tinha sido escrito por Williams III e Blackman antes da sua saída. Esperava-se, por isso, que a edição publicada apresentasse alterações relativamente ao planeamento inicial.
Em Portugal e no Brasil, as histórias de Batwoman continuavam então a ser publicadas pela Panini, na revista A Sombra de Batman. Paralelamente, a coleção Super-Heróis DC, editada pela Levoir em parceria com o jornal Público, preparava a publicação de Elegia, a história que marcou a estreia de Kate Kane como protagonista nas páginas de Detective Comics, com argumento de Greg Rucka e desenho de J.H. Williams III.
