No passado sábado, a cerimónia de entrega dos PNBD foi cheia de surpresas, mas um momento desafiou a concepção da realidade dos presentes: foi indicado que Marcos Farrajota iria receber o prémio atribuído o prémio de Melhor Álbum Nacional atribuído à “Zona de Desconforto”, da Chili Com Carne. Após um momento de incredulidade, a normalidade foi reposta quando Nelson Dona (director do AmadoraBD) se dirigiu ao palco – murmurando que “o Marcos disse que vinha” – e recebeu o prémio das mãos de Carla Tavares, Presidente da Câmara Municipal da Amadora, que aguardou em vão pela chegada do ilustre presidente da associação.
Afinal, o mundo não tinha enlouquecido por completo e Marcos Farrajota demonstrou o respeito que sempre teve pelos Prémios, pelo festival e pelos restantes autores de BD. A ausência do editor e dirigente associativo foi compensada com entrevistas aos jornais Diário de Notícias e i.
Acho que os prémios da Amadora são uma confusão total, vítimas da pouca e pobre produção editorial portuguesa e da própria incoerência programática do festival.
Esta acutilante critíca à “pobre produção editorial portuguesa” é um justo agradecimento aos responsáveis pela “confusão total” que são os prémios do AmadoraBD: o júri, que até nomeou uma obra que não foi apresentada a concurso, como os regulamentos o permitem e já sucedeu anteriormente, como já tinha sido explicado pelo director do festival. A política de não envio até se encontra justificada na entrevista ao i:
“Não queremos nada nunca, preferimos oferecer ideias para o mundo.”
Esta ideia é complementada com um aspecto que é fundamental na discussão da BD contemporânea, na óptica do nosso bedófilo anónimo favorito: os patos usarem ou não cuecas.
“Talvez percebam que a BD que se deveria divulgar não é sobre patos sem cuecas ou musculados com cuecas de fora, ou a que preço foi vendido mais um original do Tintim, talvez agora percebam que existe alguma BD séria, adulta e artística em Portugal”.
A problemática da divulgação da BD nacional é aprofundada no post do Blogzine da Chili Com Carne, referente à entrevista no Diário de Notícias onde revela o motivo por que não comprava esse diário nacional há uma década.
O Diário de Notícias deixou de escrever sobre Banda Desenhada porque o menino João Miguel Tavares achava que esta em 2004-e-tal tinha desaparecido e o que estava a dar era pôr mais betinh@s no mundo e escrever sobre livros para putos – claro, um gajo quando passa a ter filhos é um adulto e não pode mais ler coisas para crianças (BD) mas sim livros ilustrados para a infância.
É realmente uma situação que deveria ser debatida: as opções pessoais e profissionais de individuos que optam por caminhos não aprovados pelo presidente.
Mas essa é uma questão lateral: Tendo em conta que a “confusão” dos prémios da Amadora permitem uma projecção a nível nacional o editor explanou os critérios editoriais seguidos nesta obra, ao “i”:
Na essência são amigos e conhecidos, alguns não entraram porque não tiveram tempo para produzir BD porque andam estafados da vida que levam.
Realmente é lamentável que nem todos os autores nacionais possam ter vida de bibliotecário-presidente-de-associação, contudo o pior são mesmo as “antas” que não reconhecem o valor artístico da “Zona de Desconforto”:
“Escreve” Pedro Cleto no JN que o Zona de Desconforto ganhou o prémio da BD Amadora não pela obra ter qualidade mas por ser uma “edição marginal”. Ele tem toda a razão, a obra não tem qualidade e é justamente por isso que mereceu um prémio da BD Amadora! O estranho é que este divulgador nortenho nunca antes ter dito isto de todas as obras já premiadas na Amadora que também não tinham
No entanto a verdadeira crítica (que para uns será uma “requintada crítica intelectual”, embora outros possam considerar um insulto de meninos mimados incapazes de lidar com opiniões diversas) está guardada para o url do post: http://chilicomcarne.blogspot.pt/2014/11/os-burros-do-norte.html
Se ainda não perceberam a crítica, eu faço um desenho!

Já agora convem salientar que a critica atroz que Pedro Cleto realizou foi mencionar que a vitória da obra foi uma surpresa “não pela qualidade da obra, mas por ser uma edição algo marginal mesmo para o mercado português.” Caso não tenham compreendido eu traduzo para os burros que gostam de encher o peito para a fotografia: é indicado que apesar de a obra qualidade foi uma surpresa por ser uma “edição marginal”. Existem burro que se aprendessem a ler em vez de zurrarem faziam melhor.
Contudo, não se julge que o emérito editor não tem sentido de autocritica, o que não tem é pejo em assumir que o projecto não é completamente do seu agrado.
“Na realidade, esta antologia ficou aquém do que queria. Ficou mais mais burguesa que lumpen”.
Uma afirmação ao Diário de Notícias que é reiterada ao “i”, onde até descobrimos que se pode dizer lumpen em português:
“Infelizmente, a antologia é mais burguesa que proletária”.
São opiniões que deixam claro que quem considerar a “Zona de Desconforto” uma obra “marginal” são burros e os que considerarem uma obra “burguesa” são “freaks de Esquerda”.
[pullquote align=”right”]”Esta antologia ficou aquém do que queria.”[/pullquote]Farrajota no seu melhor! não é de admirar portanto que exista quem tenha curiosidade em ver como será a exposição dedicada aos autores na Zona de Desconforto no AmadoraBD em 2015, vencedores do PNBD são autores em destaque na edição seguinte do AmadoraBD, como foi confirmado pelo director do festival.
É uma situação que irá proporcionar a transformação do AmadoraBD numa Zona de Desconforto, com aquilo que deverá ser uma “estreia oficial” da Chili no festival. Apesar de o emérito presidente da Associação já ter andado pelo festival em sessões de autógrafos a promover as suas obras, no início do século e na versão Marte Pinga-Amor (Loverboy), a associação/editora não costuma estar presente no festival. Existem alguns exemplares à venda numa banca que se disponha a acolher as obras, mas não existe qualquer presença oficial da editora/associação, mesmo quando existem lançamentos que coincidem com o festival, como foi o caso este ano do QCDA #2000.
Resta a questão se o festival terá a coragem de abandonar a sua “incoerência programática” e abordar frontalmente aquele que é um dos grandes cavalos de batalha do emérito editor: a relevância dos patos não usarem cuecas na BD contemporânea!
Os meus parabéns aos autores “burgueses” da “Zona de Desconforto” pelo trabalho realizado que permite ao seu editor explanar as suas ideias sobre as “questões fundamentais” da BD nacional, em jornais jornais generalista de distribuição nacional que, regra geral, ignoram a BD independentemente da estética, salvo em situações como a proporcionadas pela “incoêrencia programática” do AmadoraBD e a confusão dos seus prémios.
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