A grande ausência notada nos nomeados foi “Cidade Suspensa” de Penim Loureiro, editado pela Polvo, cujo lançamento foi durante o X Festival Internacional de Beja.
O motivo da consternação foi resumido de modo sucinto por Dário Duarte (vulgo Derradé) citando uma das críticas bastante positivas que a obra recebeu.
As opiniões valem o que valem mas sobre a “Cidade Suspensa” estas são muito unânimes: “Por vezes surgem livros surpreendentes que a princípio nem sabemos bem como abordar. “Cidade Suspensa” de Penim Loureiro (Polvo) é um desses livros.”
A ausência de uma obra não significa que esta não tenha o valor – que até é reconhecido pela generalidade da crítica – embora estas ausências de obras meritórias nas listas de nomeados seja algo que é usual neste tipo de prémios, seja em Portugal ou não.
A defesa do júri acabou por ser realizada por Mário Freitas (Kingpin Books) que em outros anos foi extremamente crítico da ausência ou não atribuição de prémios a obras (editadas por si) que considerava terem mérito.
Apenas uma achega, porque creio que há aqui alguma injustiça para com os jurados, quando foi dito que se eles não nomeiam um livro é porque não o leram. Há muitos mais candidatos do que nomeados, tal como, obviamente, há muitos mais nomeados que vencedores (apenas um por categoria). Durante os últimos 12 meses, em particular, foi publicado um rol considerável de obras de qualidade, pelo que este ano o cartaz de potenciais nomeados era bastante alargado e nem todos o poderiam ser. De resto, uma decisão de um júri é sempre subjectiva e escuso de relevar disso.
Finalmente, o facto de obras de qualidade não serem nomeadas não lhes tira mérito, é um facto, mas também não faz do júri um bando de mentecaptos nem das obras nomeadas coisas menores ou inferiores. O empenho ou dedicação dos autores das obras nomeadas não foi certamente inferior aos daqueles que não tiveram a felicidade de o ser, pelo que sentimentos de injustiça baseados apenas na dedicação ou no esforço não me parecem os mais racionais.
Um dos motivos para a ausência de algumas obras costuma ser o facto de só serem nomeadas obras que sejam apresentadas a concurso pela editora (ou autor), como frisou José Hartvig de Freitas (responsável pelas colecções da Levoir, editor-assistente da Panini e colaborador da G-Floy).
A selecção dos livros é feita pelo júri EXCLUSIVAMENTE com base nos livros que as editoras
mandam a concurso – se a editora não mandar seis exemplares do livro para o FIBDA, nunca será seleccionado. Algumas das editoras pequenas às vezes não enviam livros (foi o caso de um livro editado pela Mundo Fantasma na edição passada).
Este facto que justifica a ausência de algumas obras (mas não da Cidade Suspensa que enviado a concurso pela editora) levantou uma outra questão, a presença de Desenhador Defunto entre os nomeados, como foi salientado por Gabriel Martins (Alternative Prison).
Aliás questiono-me se as regras não terão mudado, porque normalmente a Chilli não envia exemplares. Mas sobre isso não me posso pronunciar, não estou a par.
A política de não se candidatar as obras que edita a prémios é uma política da Associação Chilli Com Carne que não se restringe aos Prémios Nacionais de Banda Desenhada, mas também se estende aos Prémios Profissionais de Banda Desenhada, onde Francisco Sousa Lobo enviou os PDF solicitados pela organização que a editora preferiu não enviar. Por isso, poderá até ter acontecido o mesmo com os PNBD, onde a Zona de Desconforto, que também é editada pela Chilli. surge entre os nomeados.
Existe que prefira não se candidatar a prémios, como é o caso do Clube do Inferno que fez questão de o frisar na sua página de Facebook, depois de felicitar um dos seus membros nomeado por outras obras editadas fora do colectivo.
Parabéns ao André, nomeado para vários prémios no AMADORA BD, incluindo pelo Safe Place! Porque consideramos o concurso de fanzines uma forma de prostituição, não enviámos o 9-2-5 do André. Senão ele estava em todas.

Como é habitual, existe a habitual polémica sobre as obras nomeadas que foram comercializadas após Julho do ano de atribuição dos prémios. Este ano é o caso de “Jim Curioso”, “Portugueses na Grande Guerra” e “Eu Mato Gigantes”.
Convém salientar (mais uma vez) o regulamento:
Podem concorrer aos Prémios Nacionais de Banda Desenhada todos os álbuns / livros de BD publicados em português por uma editora portuguesa entre Agosto de 2013 e Julho de 2014 (inclusive).
Serão consideradas as datas de depósito legal, sendo desejável que os livros já se encontrem distribuídos no mercado livreiro.
O que é tido em conta pelo Amadora BD para uma obra poder ser aceite a concurso é a data do depósito legal e não a data em que o álbum é comercializado e distribuído.
Estando esclarecido este ponto, vamos então passar ao caso caricato: “The Untold Tales of Dog Mendonça and Pizzaboy”, obra editada em 2012 pela Dark Horse.
Segundo foi possível apurar, foi apresentado a concurso o segundo volume das Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy que foi efectivamente editado em 2013 pela Dark Horse, contudo esse álbum não é inédito, uma vez que já tinha sido editado (e premiado) em Portugal, contudo a versão da Dark Horse republica “The Untold Tales of Dog Mendonça and Pizzaboy” que, por sua vez, é uma reedição das história realizadas por Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa para a “Dark Horse Presents” em 2011.
De salientar que a categoria onde The Untold Tales está nomeado: Melhor Álbum Português em Língua Estrangeira, não se destina a premiar – ao contrário do que alguns poderiam julgar – o trabalho de autores portugueses para editoras estrangeiras, uma vez que dos cinco títulos a concurso só um foi de facto uma edição de uma editora estrangeira (em 2012) sendo os restantes quatro títulos de editoras portuguesas, mas editados em inglês.
Convém salientar que entre Agosto de 2013 e Julho de 2014 existiram diversos trabalhos de autores portugueses editados em outros mercados. Embora na sua maioria não tenham sido álbuns mas comics, ou se preferirem: revistas. Contudo não terá sido esse o factor que os excluíu desta categoria – uma vez que “Untold Tales” é um comic, “Living Will” é um mini-comic de 16 páginas e “Safe Place” é um edição de 24 páginas – talvez, a Marvel e outras editoras não tenham é enviado os 6 exemplares solicitados pela organização e, provavelmente, os autores também não os tinham para enviar.
O facto de esta categoria premiar obras editadas por editoras portuguesas em língua estrangeira acaba por nos levar de novo ao início e à “Cidade Suspensa”, uma obra editada em Junho deste ano em português e inglês e que ficou ausente em todas as categorias possíveis, ou talvez tenha sido esse o problema e o júri ficou indeciso entre a nomear na categoria de melhor álbum nacional editado em língua portuguesa ou do melhor álbum nacional editado em língua inglesa.
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