A rubrica aElipse entrou no sexto mês de colaboração regular. Em cinco meses de experimentação, começo por agradecer o contributo de gente interessada e participante como o Pedro Vieira de Moura, o David Soares (cujo longo e interessante comentário a uma destas crónicas dava para vários artigos de resposta), o Geraldes Lino ou o José Abrantes. Só por isso, o balanço é positivo.Cabe-me hoje, para além do balanço, dar conta do que pensei para este espaço, e, já que estamos nisto, para o que poderia ser o aCalopsia.
Esta rubrica aElipse apareceu um bocadinho por acaso e, muito graças à flexibilidade do editor Bruno Campos (a quem também agradeço a confiança), tem poucas regras. Assim, tem a capacidade de ser um bocadinho o que os leitores quiserem.
Foi com alguma surpresa que registei, por exemplo, o bom acolhimento da Crónica do Escondidinho. Tenho mais duas, escritas em 1999, que tentarei encontrar para uma dessas alturas em que não há grande novidade a transmitir, ou em que até há novidade mas não houve tempo para preparar a crónica.
O projeto da cidade da Amadora em torno da banda desenhada continuará a ter lugar de destaque no aElipse, estando prevista uma “História do AmadoraBD” e uma análise muito aprofundada da edição 2014 (a 25ª) do festival. Afinal, a Amadora é a cidade onde vivo.
Tenho algumas outras ideias para este espaço, mas duvido que tenha disponibilidade de tempo para elas. São ideias mais centradas na minha visão do que é a banda desenhada, essa forma de linguagem que considero muito superior (ainda que menos popular) ao cinema, por exemplo, e no que é a leitura da banda desenhada.
No que não depende de mim, e já disse isto ao Bruno Campos, gostava que o aCalopsia apresentasse histórias de BD de autores portugueses, e que acolhesse outro tipo de colaborações. Acredito mesmo que se isso acontecer, o aCalopsia concretiza a capacidade que tem para se tornar na grande referência dos sítios da Internet sobre banda desenhada em Portugal. Convenhamos que o panorama existente neste âmbito não é muito animador. Apesar das honrosas excepções, os blogues que existem sobre BD são realidades muito dispersas e episódicas. Alguns têm manifestamente pouco rigor e qualidade na informação, embora reivindiquem sempre o reconhecimento dos leitores porque, teoricamente, fazem mais do que a sua obrigação. Para mim, este argumento não vale.
Pessoalmente, gostava muito que alguns bons blogues que ainda existem fossem convertidos em rubricas de um site como o aCalopsia (ou algum melhor que apareça, claro). Gostava que o Pedro Moura fizesse um LerBD para o grande público (com artigos mais curtos e centrados em obras mais acessíveis). Gostava que, assim como eu venho reflectindo sobre a aposta da Amadora na BD, alguém escrevesse regularmente sobre o que se vai fazendo em Beja. Gostava que aCalopsia tivesse colaborações pontuais (como o bom artigo de Paulo Costa sobre Michel Vaillant) de gente como Diniz Conefrey ou Teresa Câmara Pestana, que sabem analisar uma BD pela sua essência. Mas isto sou eu a provocar o editor Bruno Campos.
Sobretudo e como já disse, interessa-me o que os leitores gostam. Sendo certo que não vou, por hábito, responder aos comentários (não excluindo a hipótese de um comentário de alguém inspirar uma crónica em jeito de resposta), espero uma participação dos leitores que vá além de fazer “like” na página do Facebook.
Nota do editor: Existem mais algumas colaborações pontuais de outros colaboradores previstas, está mais complicado é assegurar mais umas regulares como as crónicas semanais de aElipse. O aCalopsia está aberto a colaborações, quer sejam dos mencionados por Pedro Mota, quer sejam de outras pessoas. Em relação aos webcomics, para além do Casulo – que publica BDs curtas escritas por André Oliveira e ilustradas por vários desenhistas – e que é mensal, não existem planos para outros webcomics regulares.
Os leitores fazerem like na página do Facebook, ou partilharem os artigos nas diversas redes sociais, não era um mau começo. Obviamente que os comentários construtivos são sempre bem vindos, pelo que estejam à vontade de fazer o vosso balanço.
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