O Público e a Levoir editaram, a 28 de agosto, Estamos Todas Bem, a obra de Ana Penyas que lhe valeu, em 2018, o Prémio Nacional de Banda Desenhada de Espanha, tornando-a na primeira mulher a receber esta distinção.
A colecção Novela Gráfica volta-se desta vez para uma história familiar e para as vidas de mulheres que durante décadas permaneceram afastadas do centro das narrativas. A partir das memórias das suas avós, Maruja e Hermínia, Penyas constrói um retrato de uma geração que atravessou o franquismo e as primeiras décadas da democracia espanhola.

Estamos Todas Bem acompanha o quotidiano, os afectos, os silêncios e os sacrifícios destas mulheres, explorando uma experiência que, apesar de ter marcado toda uma geração, raramente foi registada a partir da sua própria perspectiva.
A autora nasceu em Valência, em 1987, e estudou Design Industrial e Belas-Artes na Universidade Politécnica de Valência. Antes de se dedicar à banda desenhada, distinguiu-se na área da ilustração, recebendo uma menção especial no Ibero-America Ilustra, em 2015, e vencendo o VII Catálogo Ibero-Americano de Ilustração, em 2016.
Em 2017, recebeu o Prémio Internacional de Banda Desenhada Fnac-Salamandra, que permitiu a publicação de Estamos Todas Bem. No ano seguinte recebeu o Prémio de Revelação de Autor Nacional da Feira da Banda Desenhada de Barcelona e o Prémio Nacional de Banda Desenhada espanhol pela mesma obra.
A narrativa cruza passado e presente e utiliza fotografias, colagens e ilustrações para reconstruir o quotidiano de Maruja e Hermínia. As memórias familiares são confrontadas com o presente, criando uma relação entre diferentes momentos da vida das personagens e mostrando as transformações sociais ocorridas ao longo de várias décadas.

A obra acompanha também o envelhecimento de Maruja e a sua relação com o espaço que a rodeia. A dificuldade em atravessar uma cidade pouco adaptada aos peões, por exemplo, contrasta com as recordações de um passado em que os mesmos percursos eram realizados de forma diferente. As imagens e as vozes do presente e da memória sobrepõem-se, criando uma narrativa que não procura apenas reconstruir acontecimentos, mas também recuperar experiências que permaneceram durante muito tempo no âmbito privado.
Estamos Todas Bem insere-se assim numa linha de banda desenhada documental e autobiográfica que utiliza a memória familiar para abordar questões mais amplas relacionadas com a condição feminina, a família e a transformação da sociedade espanhola. A obra combina diferentes materiais e linguagens gráficas, permitindo que as imagens assumam um papel central na construção da narrativa.

A edição portuguesa surge na sequência de outros títulos da colecção Novela Gráfica, dedicada a obras de carácter biográfico, histórico e documental, entre as quais A Aranha de Mashaad, Dostoiévski — O Sol Negro, Dez Mil Elefantes, Partir, Ficando, Formosa, Albert Londres Tem de Desaparecer e Saint-Exupéry e a Origem do Principezinho.


Estamos Todas Bem, de Ana Penyas, é publicado em formato capa dura, com 120 páginas a cores e dimensões de 24 × 17 cm, tendo um PVP de 16,90 €
