As Formigas do Pedro Mota suscitaram alguns comentários e reflexões, que vale a pena “guardar”, em particular porque foram efectuadas na sua maioria no Facebook, que tendo várias vantagens, possuí um péssimo defeito: é efémero. O Facebook concebido para ser um meio de troca de informação rápida, no fim do dia não é mais do que uma conversa de café virtual.
Um pormenor curioso, foi o facto de haver quem não tenha percebido a crónica do Pedro Mota, é que aqueles que andam no meio da BD – incluindo eu – já percebemos os códigos, as meias palavras, mas para quem está de fora, se limita a consumir banda desenhada e a visitar o Amadora BD, existem alguns aspectos que são difíceis de apreender, em particular para quem não tiver lido a publicação no Kuentro que o originou, ou a outra reflexão que aqui tinha sido publicada.
Mas, vamos começar pelo “tiro ao lado do Pedro Mota”, como foi caracterizado pelo Nuno Neves, do blogue Notas Bedéfilas, no grupo de Facebook Banda Desenhada Portugal.
Criticar a má comunicação do festival para depois concluir que o afastamento do José Eduardo Ferreira não é mau para o festival é no mínimo… um disparate. Até porque não aponta outros caminhos ou soluções. A pouca divulgação que o festival vinha fazendo nos ultimos anos nomeadamente através das redes sociais, e distribuição do material de divulgação pelos bloggers era assegurado justamente pelo José Eduardo. Parece-me a mim que a alternativa, leia-se a sua ausência, é o descarrilamento. Espero que me engane. Mas a pouco mais de um mês de inicio de uma nova edição do festival e com zero de comunicação até à data parece-me que o comboio já está em excesso de velocidade a aproximar- se de uma curva apertada.
A política de comunicação do AmadoraBD é má, disso não existem dúvidas. O afastamento do José Eduardo Ferreira só é mau se quem o substituir (se o substituírem) fizer um trabalho pior. É só esse o drama das substituições, uma pessoa ser substituída por alguém pior.
Não vou fazer uma avaliação do um trabalho de uma pessoa, em particular não estando por dentro das condicionantes e não ter qualquer tipo de informação que permita avaliar correctamente o seu desempenho como profissional da BD. Em Portugal em particular, onde quem dá a cara por vezes se limita a seguir ordens, mesmo que não concorde com elas.
Acompanho de perto o AmadoraBD há bastantes anos, realizava-se ainda na extinta Fábrica da Cultura. E pelo que tenho observado sou da opinião que o festival precisa de criticas, e de muitas, porque está longe de ser perfeito (se consideramos que no lado oposto está o Festival de BD de Beja).
Como é habitual existirem comparações entre o Festival de Beja e o AmadoraBD deixem-me só recuperar um excerto de uma crónica do Pedro Mota, onde ele aborda as diferenças a nível organizacional de ambos os eventos:
Em Beja, cidade que consagrou um festival internacional de banda desenhada de menor dimensão mas com fortíssima identidade (reforçada por um total empenho e profissionalismo), o director do festival, Paulo Monteiro, tem uma autonomia e uma flexibilidade de circuitos que devia ser seguida na Amadora.
Creio que este parágrafo deveria ser suficiente para as pessoas perceberem as diferenças que existem. Algo que deveria ser mencionado, em particular quando é realizada constantemente um comparação entre o resultado final de ambos os eventos, sem nunca se mencionar o que lhe permite (ou não) alcançar esses resultados.
Agora as criticas e comentários devem ser sobre o que não funciona ou funcionando funciona mal. Entendo que o objectivo deva ser sempre no sentido de melhorar. Afinal todos beneficiamos com um AmadoraBD forte e a assumir um papel preponderante na divulgação e promoção da BD em Portugal.
Existem alturas em que me pergunto onde certas pessoas têm andado (nem que seja) nos últimos meses – quase um ano – em que o Pedro Mota tem estado a escrever aqui, no aCalopsia, sobre o que considera estar funcionar, o que considera que precisa de melhorar e indicando alternativas (na sua opinião) para um funcionamento mais eficaz do AmadoraBD. Isto, para não mencionar outros locais onde ele já exprimiu essas opiniões anteriormente.
A comunicação do festival é sem dúvida uma das áreas mais negativas do AmadoraBD. Concordamos todos. A informação sobre o mesmo chega sempre tarde, a conta-gotas e muita vezes incompleta. No ano passado nem a conferência de imprensa de apresentação se realizou. Mas houve um pequeno esforço no sentido de melhorar divulgação do evento. A abertura de um site e de uma página no facebook. Não chega. Há que carregar os seus conteúdos. Sei que no facebook esse trabalho era realizado justamente pelo José Eduardo. E funcionava. Não era da sua competência (parece-me que havia sido contratada uma empresa de comunicação) mas ele assumia o trabalho. A divulgação da informação pelos bloggers também era por ele assegurada (falo por experiência própria). Na falta de um agente de ligação com o festival, era o José Eduardo a quem muitos recorriam. Não reconhecer o trabalho dele pelo festival nos últimos anos é um exercício sem fundamento, enfim de ingratidão. Há quem viva bem com isso. Eu não gosto.
Existem aqui diversos pontos que merecem ser abordados como a presença online do festival e a “ingratidão” pelos serviços prestados pelo José Eduardo, em vez de se realizar uma avaliação do trabalho realizado. Vamos começar pela presença online, em particular a página de Facebook do AmadoraBD que esteve inactiva entre 3 de Abril de 2014 e 24 de Setembro de 2014, um mistério que parece ser desvendado pelo Nuno Amado no Leituras de BD.
E quando uma Câmara Municipal bloqueia o Facebook aos seus empregados e a um deles cabe a gestão da divulgação na página Facebook do evento? Essa é linda! A culpa é dele? Pois…
Eu parto do principio que esta é uma alusão à Câmara Municipal da Amadora, e o funcionário é o José Eduardo, tendo em conta o contexto do artigo do Nuno Amado: a defesa de um funcionário (do AmadoraBD) “atacado” pelo Pedro Mota, se estiver errado por favor corrijam-me.
O facto relatado pelo Nuno Amado é caricato, o Nuno Neves ter mencionado que “havia sido contratada uma empresa de comunicação” só me fez pensar numa expressão: despesismo público. É necessário contratar um empresa de comunicação para actualizar uma página de Facebook de uma entidade que não tem qualquer necessidade de realizar actualizações diárias, excepto durante o período que antecede o AmadoraBD e durante o evento. O responsável pelas relações públicas do evento não tem capacidade de realizar esse trabalho?
É que tendo em conta que não existem assim tantas actividades do CNBDI ou do AmadoraBD durante o resto do ano, não existe uma necessidade de ter um empresa a cuidar desse trabalho, acreditem, um relações públicas é capaz de realizar esse trabalho, aliás nem o necessita de realizar, basta enviar os textos e imagens, aqueles que deveriam ser enviados à comunicação social, e divulgados nos órgão de divulgação do CNDBI e Câmara Municipal, para alguém efectuar o upload dessa informação.
Acreditem, não dá assim tanto trabalho, e olhem que a página do aCalopsia no Facebook até é actualizada com bastante regularidade. Mas obviamente, isto sou eu, que não tenho a dimensão de um festival ou os recursos para contratar uma empresa de comunicação. Eu também sou da opinião que bastava um relações públicas competente, tarefa que julgava pertencer a José Eduardo, mas parece que estava errado, pelo que conta o Leituras de BD.
Para quem acha que ele seria responsável pela má divulgação do evento eu tenho de frisar que ele era um mero funcionário que só podia veicular publicamente o que lhe deixassem, e quando fosse autorizado.
Qualquer pessoa que tenha dois palmos de testa tem consciência de que um relações públicas em qualquer organismo, seja ele público ou privado, é só um funcionário que só pode transmitir a informação que o autorizam a divulgar. Em alguns casos o relações públicas poderá ter (e deveria ter) uma palavra a dizer na política de divulgação que é praticada.
Independentemente de ser esse o seu cargo ou não, o trabalho que José Eduardo tem realizado no CNBDI (e anteriormente no Amadora BD) é um trabalho de relações públicas.
Não é possível fazer uma avaliação negativa da comunicação do AmadoraBD e classificar de bom quem a efectua.
Mais, acho ainda mais feio que pessoas que trabalharam com a organização venham ainda dizer implicitamente que a culpa da má divulgação do festival era dele. Sim, porque o Pedro Mota (não tenho problemas em referir o nome) se queria fazer crítica à forma como é feita a comunicação e divulgação tinha muito por onde escolher. Escolheu o elo mais fraco… tem medo de se meter com os pesos pesados?
É uma pena que o Nuno Amado não tenha mencionado quem são os “pesos pesados” com os quais o Pedro Mota “tem medo de se meter”. Em particular fica mal acusar de cobardia outros por algo que não se faz, deixando implícito que se está a tentar “crucificar” alguém.
Deixem-me só recordar o que o Pedro Mota disse sobre o o trabalho do José Eduardo:
Por muita consideração que tenha pela pessoa do José Eduardo Ferreira, no que respeita ao aspecto profissional, o trabalho por ele desenvolvido está ligado a algumas das áreas em que o AmadoraBD foi menos forte, nomeadamente a divulgação, a promoção e a informação.
É uma posição coerente com a opinião que o Pedro Mota tem sobre a política de comunicação do festival, tendo sido motivo de uma crónica, aqui no aCalopsia, em 23 de Novembro de 2013 e parte de (por exemplo) O Balanço do FIBDA 2003, artigo publicado no jornal regional Notícias da Amadora, em 16 de Novembro de 2003.
A divulgação do FIBDA continua a necessitar de uma enorme mudança para melhor. A informação sobre o Festival apareceu outra vez muito dispersa e tardia, e poderia ser muito mais rentabilizada. O Festival tem capacidade de resposta quando é procurado, mas falta-lhe iniciativa. O site oficial do FIBDA surgiu praticamente na data da inauguração. Depois do primeiro fim-de-semana, dominado por Maurício, as pessoas começaram a ganhar a noção de que o Festival já tinha terminado. Existe todo um papel formador que o Festival não tem assegurado junto da comunicação social.
Também os concursos voltaram a ser divulgados muito tarde e de forma deficiente, o que tem necessariamente consequências ao nível da qualidade dos trabalhos apresentados: este ano, houve vários prémios que ficaram por atribuir. A cerimónia dos prémios e troféus também não prestou um bom serviço ao FIBDA ou à BD.
Volto a referir: esta opinião é de 2003. Onze anos, a política de comunicação do AmadoraBD não se alterou. Em alguns casos piorou. Não é possível fazer um balanço positivo de quem realizou essa divulgação se uma década depois, a situação não se alterou.
O trabalho do José Eduardo foi negativo, as condicionantes que teve não fazem com que o trabalho dele seja positivo. Fez o que podia.. e mais do que devia? Não é isso que é avaliado, ou melhor não é isso que deveria ser avaliado.
No fim não conta se teve um esforço inglório (ou não) porque aquilo que é (ou melhor, deveria ser) avaliado é o que foi realizado, e não o que poderia ter sido realizado. A questão fundamental, no caso da comunicação do festival, é facto de ser necessário que o AmadoraBD altere a maneira como faz a promoção do evento, como lida com os parceiros para a divulgação e que não se limite unicamente a trocar de “formigas”.
É que trocarem as pessoas é irrelevante, se a quem vier não forem dados os meios para realizar o seu trabalho da melhor maneira possível. Algo que, parece ser evidente, não foram dados meios a quem lá estava anteriormente.
José Eduardo Ferreira não era a fonte de todos os males do AmadoraBD, do mesmo modo que o seu afastamento não será a fonte de todos os eventuais problemas que existam (e possam vir) a existir na edição deste ano. O que parece evidente, é que não era parte da solução, porque independentemente dos esforços que tenha feito, os problemas comunicacionais do festival continuam como à uma década atrás.
Existem alturas em que não basta ter interesse e boa vontade, é necessário algo mais importante: ter competência. Sendo, que em alguns casos, é necessário ter não só a competência para o desempenho de um cargo, como também para modificar os comportamentos perniciosos dos organismos nos quais se trabalha.
Não tenho dados que me permitam avaliar a competência de José Eduardo, agora sei que não tinha a influência ou capacidade para resolver (sozinho) os problemas do AmadoraBD, que são profundos e já existem à muito tempo.
O problema não é o José Eduardo, ele só cometeu foi um erro de palmatória para um relações públicas, que era o trabalho que desenvolvia para o Amadora BD, enviou um e-mail pessoal (escrito como se estivesse a falar para amigos próximos) informando sobre uma situação do AmadoraBD, quando devia ter enviado um mail unicamente profissional e cingindo-se aos factos. Como ele não fez isso o seu e-mail foi utilizado como arma de arremesso pelo Machado-Dias contra o AmadoraBD, como se a questão fundamental fosse o trabalho desenvolvido pelo José Eduardo, quando não é.
O José Eduardo deveria unicamente ter-se limitado a enviar um mail onde informava que já não fazia parte da organização do festival, não sendo da sua competência prestar esclarecimentos sobre o evento, indicando quem é que era agora o responsável por essa pasta. Contudo essa informação não constava do mail, e isso é que é o mais grave.
Afinal quem é que fala pelo AmadoraBD? Quem é o porta-voz do AmadoraBD? Quem é tem a responsabilidade de falar com a comunicação social? Quer seja a institucional ou sites e blogues.
Eu não estou a tentar “linchar” o José Eduardo Ferreira, até porque não me surpreenderia muito se a Câmara Municipal da Amadora e o CBDI (a menos de 5 semanas do festival) ainda estejam a decidir quem é que deve falar ou não pelo AmadoraBD.
Os problemas do AmadoraBD são mais profundos que um funcionário, ou a presença do Machado-Dias no festival. Em parte esses assuntos têm sido abordados aqui, como é o caso da Organização do Amadora BD e da autonomia que este têm. Tendo por base o que é exequível, o que funciona, não só em outros eventos nacionais como em outros eventos que se realizam na Amadora.
Apontar o afastamento do Câmara Municipal da Amadora da organização do festival é absurdo. O AmadoraBD pertence à Câmara Municipal da Amadora, foi construído ao longo 25 anos. Porque motivo se haveria de entregar um património público a privados? Para se ter um situação parecida com a gestão da página de Facebook do evento?
É fácil atirar com ideias para o ar, fazer perguntas sem uma resposta ou apresentar um solução concreta e exequível. Mais fácil ainda é encontrar bodes expiatórios, sejam eles funcionários ou colaboradores do evento que, como o Pedro Mota, até escrevem com regularidade sobre o festival, abordando as vários aspectos da sua organização e funcionamento. Quer sejam os aspectos positivos como os negativos, mas justificando as opiniões com argumentos, fundamentando-as e apontando (possíveis) soluções com base na realidade.
A “clareza peculiar” do Pedro Mota tem só um problema, na minha opinião, é por vezes demasiado hermética para os leigos que estão fora do meio. Em aElipse, o Pedro Mota remete-se ao essencial, sem personalizar, questionando as opções estratégicas do AmadoraBD, e da política cultural da Câmara Municipal da Amadora para o evento de maior impacto (nacional e internacional) realizado naquele concelho.
Como ele mencionou num comentário…
Não estou (nem sequer implicitamente) a centrar ações nos indivíduos. Estou justamente a (tentar) descentrá-las.
Esta opção pode tornar por vezes os textos mais herméticos e o debate menos polémico, centrando e-se em questões programáticas e organizacionais, em vez de levar a discussão o debate de pessoas e não ideias.
Existem alturas em que é impossível dissociar as pessoas das opções que tomam, das politicas que defendem, dos actos que praticam. O debate até poderia ser menos hermético, abrindo a discussão aqueles que estão de fora, e tendo interesse na matéria não tem dados suficientes para compreender a discussão na sua totalidade. Contudo, esta situação é um bom exemplo do que acontece quando se mencionam nomes: a conversa passa a ser centrada em pessoas e vez de ser centrado no essencial, que neste caso é a política comunicacional do Amadora BD.
É que todos concordam que a politica de comunicação do AmadoraBD é má, contudo existem que seja capaz de considerar a politica má, e quem a pratica bom. É algo usual na BD nacional. Sempre que se menciona nomes, as opiniões passam a ser emitidas com base relacionamento (opinião) das pessoas envolvidas em vez de ser sobre o tema que é fundamental. Até porque é mais fácil abordar a discussão se a transformar-mos numa questão de José Eduardo Ferreira contra Pedro Mota. Algo que é completamente contra-producente para o assunto em causa e a resolução dos problemas em discussão.
Sendo que o cerne dos problemas do AmadoraBD, são de ordem política, das opções tomadas para o maior evento de BD nacional que este ano celebra o seu 25º aniversário.
João Figueiredo, responsável pelo programa Art&tropia, fez um bom resumo das questões essenciais do AmadoraBD na secção de comentários do Leituras de BD.
Acho que se está a confundir a obra-prima do mestre com a prima do mestre de obras.
Ou seja: A Amadora sempre foi uma terra ligada à BD. Foi lá que se desenvolveram muitas revistas dos anos 40/50/60.
Foi lá que pessoas como José Ruy, José Garçês, Vasco Granja e [António Cardoso Lopes, o “Tiotónio”] desenvolveram aquele que é considerado o período de ouro da BD nacional. E, a bem da verdade, não estavam sozinhos, pois em Lisboa a Agência Portuguesa de Revistas e o talento de Carlos Alberto Santos davam grandes cartadas.
Quando há 25 anos aqueles que geriam a autarquia da Amadora na altura quiseram homenagear [António Cardoso Lopes], decidiram organizar uma iniciativa que se tornaria no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. E investiam na cultura. Só que em 1997 mudou a gestão da autarquia. E começou o desinvestimento, já várias vezes admitido por todos, menos por quem gere a câmara até hoje. E, reparem, o mesmo aconteceu em Beja, onde em 2005 a gestão da autarquia decidiu dar força ao núcleo de autores que existe em Beja, proporcionando a hipotese de criar o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. E investiram na cultura. Só que em 2009 mudou a gestão da autarquia. E começou o desinvestimento que, inclusive, pôs em causa o funcionamento do festival de 2012 e que só não se repetiu em 2013 porque foi ano de eleições. Mas Beja voltou a ser gerida por quem criou e apoiou o festival desde o seu inicio e 2014 foi um dos melhores anos do festival, como reconhecido por todos.
Voltando à Vaca Fria: São estas situações que me fizeram deixar cair projectos que eu tanto gostava. Não acho que a solução passe por afastar a CMA da gestão do Festival, até porque é algo que é da CMA, mas está na altura dos responsáveis pelo desinvestimento serem chamados à pedra. Tão simples quanto isto: Em Dezembro de 2014 será discutido, quer na CMA como na Assembleia Municipal da Amadora, o Plano de Actividades e o Orçamento para 2015. Onde constam as verbas e as acções para a cultura/AmadoraBD/CNBDI. A discussão na Câmara pode não calhar numa reunião aberta, mas a discussão na Assembleia calha (Assembleias são sempre abertas). E as assembleias têm período de intervenção do público. Eu farei tudo para participar e dizer a minha opinião, como amante da 9ª arte que sou. Quem está comigo? É que esta também é uma forma de defendermos a BD.
O AmadoraBD é um evento local de dimensão nacional e projecção internacional, organizado pela Câmara Municipal da Amadora, sendo que é aí que reside a solução (e origem) dos seus problemas. O presente e futuro do AmadoraBD está dependente de decisões políticas, do enquadramento que o executivo camarário da Amadora pretende dar ao AmadoraBD no âmbito da sua política cultural.
Sendo um assunto que será sempre resolvido a nível local, isso não implica que os intervenientes residentes em outras localidade se excluam de emitir opinião, até pela dimensão nacional que o festival tem. O AmadoraBD tem sido fundamental no desenvolvimento do mercado de BD nacional, os intervenientes nesse mercado deveriam ter opinião sobre é um evento local que permite a projecção nacional e internacional da cidade da Amadora, mas também da BD nacional.
Ao longo de 25 anos têm passado pelo festival alguns dos nomes relevantes da BD nacional e internacional. Ao longo de 25 anos o AmadoraBD adquiriu um prestigio a nível internacional que lhe permite ter presentes grandes autores, originais de grandes autores e “exportar” material do seu espólio para exibição no estrangeiro, tendo também estabelecido diversas parcerias a nível internacional que permitem a presença dos referidos originais de grandes autores da BD mundial.
Existem questões fundamentais do AmadoraBD que devem ser discutidas. As formigas não são a questão fundamental do AmadoraBD, os problemas desta edição do AmadoraBD não começaram à uma semana, mas meses antes. Os problemas da próxima edição do AmadoraBD começam (em parte) quando for aprovado o Orçamento do próximo ano da Câmara Municipal da Amadora.
Personalizar a questão em torno de pessoas secundárias, criar “mártires” e crucificar quem emite opinião é uma boa maneira de prestar um serviço a quem ao longo dos últimos anos tem vindo progressivamente a reduzir o orçamento, a desinvestir no AmadoraBD, por o considerar um gasto supérfluo no orçamento da Câmara Municipal da Amadora.
A necessidade de dinamizar o AmadoraBD no contexto de um plano global é uma realidade. A Amadora tem na banda desenhada um veículo privilegiado para dar visibilidade ao trabalho que tem desenvolvido e pretende desenvolver nas mais diversas áreas, da educação à cultura, passando pela juventude e acção social.
Foi assim que terminou a primeira crónica de Pedro Mota para o aCalopsia ( em 9 de Novembro de 2013), sugiro a quem tem interesse em falar sobre as questões fundamentais do AmadoraBD, e não sobre formigas, a ler aElipse desde do início, são abordadas várias questões fundamentais para a compreensão e discussão do maior certame de BD nacional, que nos últimos anos tem vindo progressivamente a perder protagonismo e relevância. Algo que não beneficia ninguém que tenha interesse na BD em Portugal.
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