A Longa Marcha de Lucky Luke marca os 80 anos do cowboy com nova aventura de Matthieu Bonhomme

Matthieu Bonhomme regressa ao universo de Lucky Luke com A Longa Marcha de Lucky Luke, o terceiro álbum do autor dedicado ao cowboy criado por Morris. Publicado em Portugal pela A Seita, o livro integra a colecção Lucky Luke visto por… e chega às livrarias numa edição de capa dura com 88 páginas.

Em 2026, Lucky Luke celebra 80 anos desde a sua criação por Maurice De Bévère, mais conhecido como Morris. Para assinalar a data, a editora portuguesa A Seita publica A Longa Marcha de Lucky Luke, uma nova aventura escrita e desenhada por Matthieu Bonhomme, um dos autores que mais se tem destacado na recriação contemporânea do universo do cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra.

O álbum é o terceiro trabalho de Bonhomme protagonizado por Lucky Luke, depois de O Homem que Matou Lucky Luke e Procura-se Lucky Luke. Os três títulos integram a colecção Lucky Luke visto por…, dedicada a diferentes interpretações da personagem por autores convidados. Apesar de poderem ser lidos de forma independente, estas obras partilham uma abordagem que aproxima Lucky Luke de um western mais realista, reduzindo o peso da comédia e explorando de forma mais aprofundada a personalidade do protagonista.

Uma viagem pelo território Lakota

Em A Longa Marcha de Lucky Luke, a história começa nas paisagens geladas do norte do Minnesota. Lucky Luke atravessa uma região coberta de neve até chegar a uma pequena povoação de montanha, onde procura Jeremiah Johnson, um caçador e pisteiro que poderá ajudá-lo a localizar uma criança branca de dez anos que vive junto dos Pés-Azuis.

A missão foi-lhe confiada por Ronald Cramp, proprietário da Cramp Company e tio da criança. Segundo Cramp, Johnson foi a última pessoa branca a ver o rapaz entre os indígenas. Depois de encontrar o caçador, Lucky Luke convence-o a acompanhá-lo até ao território dos Pés-Azuis.

A viagem revela, contudo, que o desaparecimento da criança é apenas uma parte de um conflito mais amplo. A expansão da Cramp Company provocou uma intensa desflorestação da região, contribuindo para o agravamento das relações entre os homens brancos e os Pés-Azuis.

A criança, Nuvem Vermelha, assume progressivamente um papel central na narrativa. A missão de Lucky Luke deixa de ser apenas encontrar e transportar o rapaz e transforma-se numa situação que obriga o protagonista a questionar a própria natureza da sua tarefa e a assumir uma posição de protector.

Lucky Luke entre tradição e modernidade

A nova aventura mantém diversos elementos reconhecíveis da série original, mas Bonhomme volta a apostar numa representação mais realista do personagem e do universo do western.

A história aborda temas como a exploração dos recursos naturais, a desflorestação, a ecologia e a concentração de poder económico, através da atividade da empresa de Ronald Cramp. Estes elementos estão integrados na narrativa e funcionam como parte do conflito que conduz a viagem de Lucky Luke.

O álbum recupera também algumas personagens conhecidas dos leitores de Lucky Luke. Os Dalton têm uma participação secundária na história, mantendo o seu habitual comportamento desastrado, mas desta vez assumem uma posição diferente na dinâmica da perseguição: é Lucky Luke quem se encontra na posição de perseguido.

Também o cabo Pendergast, personagem de Os Dalton no Canadá, regressa ao universo da série. Integrante da Polícia Montada canadiana, participa na resolução do conflito que encerra a aventura.

Um western marcado pela paisagem

A componente gráfica assume particular importância numa história passada entre montanhas, florestas e paisagens cobertas de neve. Bonhomme utiliza uma abordagem semi-realista, afastando-se visualmente do estilo de Morris sem deixar de tornar imediatamente reconhecível a personagem.

A neve e o frio tornam-se elementos fundamentais da narrativa. Para representar a paisagem gelada, o autor desenha primeiro os cenários e utiliza posteriormente o branco da própria prancha para criar a neve. O frio é transmitido através das posturas das personagens, do vapor da respiração e de outros sinais físicos.

Os cenários funcionam ainda como elemento narrativo. As grandes extensões brancas e silenciosas contrastam com os momentos de violência e ação, enquanto a fauna da região — incluindo lobos e bisontes — participa em algumas das sequências da aventura.

Matthieu Bonhomme e o cowboy de Morris

Nascido em Paris, em 1973, Matthieu Bonhomme iniciou-se profissionalmente na banda desenhada como assistente de Christian Rossi. O autor é um conhecido admirador do western e identifica Lucky Luke como uma das séries que marcaram a sua formação enquanto leitor.

A sua primeira incursão no universo do cowboy surgiu com O Homem que Matou Lucky Luke, seguindo-se Procura-se Lucky Luke. Paralelamente ao seu trabalho sobre o personagem de Morris, Bonhomme desenvolveu outros projetos, incluindo Charlotte Imperatriz, série dedicada à princesa belga que se tornou imperatriz do México.

A sua ligação a Lucky Luke permite-lhe combinar o conhecimento dos códigos tradicionais da série com uma abordagem própria, marcada pelo maior realismo gráfico e pela exploração da dimensão psicológica das personagens.

Edição portuguesa

A Longa Marcha de Lucky Luke é publicada pela A Seita na colecção Lucky Luke visto por…. A edição portuguesa inclui um caderno de extras com estudos de personagens, esboços, pranchas em diferentes fases de execução e estudos de capas.

A Longa Marcha de Lucky Luke

Autor: Matthieu Bonhomme
Colecção: Lucky Luke visto por…
Editora: A Seita
Páginas: 88
Cores: Sim
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 × 320 mm
ISBN: 978-989-9202-88-7

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