A Levoir e o Público publicam, a 31 de julho, Albert Londres Tem de Desaparecer, o sexto volume da coleção Novela Gráfica. Escrita por Frédéric Kinder e ilustrada por Borris, a obra propõe uma narrativa que cruza a biografia com a ficção para revisitar os últimos meses de vida de Albert Londres, figura incontornável da história do jornalismo de investigação.
Reconhecido como um dos jornalistas que ajudaram a definir o conceito moderno de reportagem, Albert Londres distinguiu-se por abordar temas que outros evitavam e por denunciar abusos através de investigações realizadas no terreno. Ao longo da sua carreira revelou as condições desumanas da colónia penal de Cayenne, expôs o tráfico de mulheres na Argentina e denunciou a situação vivida nos hospitais psiquiátricos franceses, reportagens que tiveram um impacto significativo na opinião pública e contribuíram para mudanças políticas e sociais.


É neste contexto que se inicia a narrativa de Albert Londres Tem de Desaparecer. Em dezembro de 1931, o jornalista parte para a China sem que nenhum jornal conheça a verdadeira razão da viagem. Numa época em que Xangai se encontrava no centro das tensões entre a China e o Japão, a deslocação desperta a curiosidade dos seus colegas e concorrentes, que tentam perceber qual será o novo tema da investigação.
Durante a estadia na Ásia, Albert Londres reúne informações sobre uma alegada rede internacional de tráfico de armas e ópio, um esquema que, segundo a obra, envolvia interesses políticos e militares de grande dimensão. O próprio jornalista descreve as descobertas como sendo “dinamite”, consciente de que as revelações poderiam comprometer figuras influentes e instituições do Estado francês.
Contudo, a investigação nunca chega a ser publicada. Em maio de 1932, quando regressa da China a bordo do transatlântico Georges Philippar, o navio é consumido por um incêndio no Oceano Índico. Albert Londres perde a vida no naufrágio e os documentos que transportava desaparecem. A inexistência de provas e as circunstâncias da tragédia alimentaram, ao longo das décadas, diversas hipóteses sobre a verdadeira causa da sua morte, levantando a possibilidade de que o naufrágio não tenha sido um simples acidente.
Partindo destes acontecimentos reais, Frédéric Kinder e Borris constroem um thriller histórico que procura explorar as zonas de sombra em torno do desaparecimento do jornalista. A narrativa combina elementos documentais com ficção, propondo uma interpretação dos acontecimentos sem perder de vista o enquadramento histórico da época.


Frédéric Kinder, diretor artístico, ilustrador e autor, desenvolveu a obra após um extenso trabalho de investigação sobre a vida de Albert Londres. O álbum valeu-lhe o Prémio RTL de Banda Desenhada 2022, distinguindo uma abordagem que alia rigor histórico a uma construção narrativa de inspiração cinematográfica.
O desenho é assinado por Borris, autor francês de banda desenhada que iniciou a carreira em finais da década de 1990. Formado em artes plásticas, publicou histórias em revistas e fanzines antes de se dedicar a projetos de maior fôlego, conciliando a banda desenhada com trabalhos de ilustração para editoras e órgãos de comunicação social. Em Albert Londres Tem de Desaparecer, o seu traço procura recriar a atmosfera da década de 1930, alternando entre ambientes urbanos, cenas de investigação e sequências de ação que acompanham a viagem do repórter.

A edição portuguesa tem tradução de João Miguel Lameiras e apresenta-se em capa dura, com 104 páginas a cores, formato 195 × 270 mm e PVP de 16,90 €. O volume integra a coleção Novela Gráfica, publicada pela Levoir em parceria com o Público, dedicada à edição de obras de autores internacionais de banda desenhada.


