João Amaral e Geraldes Lino distinguidos nos Prémios Anim’Arte 2012

Uma das novidades anunciadas no âmbito do XVIII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, realizado em 2013, foi a atribuição dos Prémios Anim’Arte a dois nomes ligados à banda desenhada portuguesa: João Amaral e Geraldes Lino.

Organizados pela revista Anim’Arte e pelo Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (GICAV), os Prémios Anim’Arte não são exclusivamente dedicados à banda desenhada, distinguindo personalidades da vida política, social e cultural, bem como artistas, dirigentes, instituições e agentes culturais e desportivos. Na área da banda desenhada, a edição de 2013 distinguiu João Amaral e Geraldes Lino.

João Amaral

Nascido em Lisboa, em 1966, João Amaral iniciou a sua carreira na banda desenhada com uma adaptação de A Voz dos Deuses, de João Aguiar, realizada em parceria com Rui Carlos Cunha e publicada pela Asa em 1994.

Em 1999 participou na segunda série de Selecções BD com dois episódios de O Que Há de Novo no Império?, regressando à revista no ano seguinte com O Fim da Linha, uma recriação de O Comboio Apitou Três Vezes.

Em 2002 recebeu uma menção na categoria de Novos Valores no Festival da Sobreda, pela história Game Over. No ano seguinte participou no álbum Vasco Granja – Uma Vida, 1000 Imagens, com Missão Quase Impossível, realizada em parceria com Jorge Magalhães. A mesma dupla criou Ok Corral, uma curta que cruza a homenagem ao clássico cinematográfico de John Sturges com a ficção científica, assinada pelos autores sob os pseudónimos Jhion e Zhion.

Entre os seus trabalhos encontram-se ainda três álbuns dedicados à história e à cultura locais: História de Manteigas – No Coração da Estrela, Bernardo Santareno – Fragmentos de uma Vida Breve e História de Fornos de Algodres – Da Memória das Pedras ao Coração dos Homens, publicados pela Âncora Editores.

João Amaral manteve também uma colaboração de dois anos com o jornal Cruz Alta, onde criou, com Isabel Afonso e sob o pseudónimo Joca, O Gui, a Nô… E Os Outros. Em 2012, novamente pela Asa e sob o pseudónimo Jhion, publicou com Miguel Peres Cinzas da Revolta, uma história ambientada durante a Guerra Colonial.

Paralelamente à banda desenhada, desenvolveu trabalhos de ilustração, publicidade e desenho para diversas publicações, incluindo a revista Rua Sésamo. Desde 2010 publica no seu blogue, sob o pseudónimo Joca, a tira humorística Fred & Companhia, além de outros trabalhos e projectos inéditos.

Geraldes Lino

Geraldes Lino, natural de Lisboa, é uma das figuras com um percurso mais prolongado na divulgação e promoção da banda desenhada em Portugal. Investigador, crítico, coleccionador, editor e autor, desenvolveu uma actividade diversificada ligada à BD, escrevendo críticas, entrevistas, actualidades e textos sobre autores e personagens.

Ao longo da sua carreira colaborou com diversos jornais, entre os quais O País, Correio da Manhã, Diário Popular e JL – Jornal de Letras e Artes, e com numerosas revistas e publicações especializadas em banda desenhada, incluindo Mundo de Aventuras, Jornal da BD, Selecções BD, Heróis Inesquecíveis e outras publicações.

Foi também responsável pela organização e comissariado de exposições dedicadas à banda desenhada, entre as quais A História na Banda Desenhada, no Museu de Arqueologia, em Lisboa, A II Guerra Mundial na Banda Desenhada, na Biblioteca-Museu da República e Resistência, e Lisboa na Banda Desenhada, no Museu da Cidade.

Em 1976 foi sócio fundador do Clube Português de Banda Desenhada e, em 1985, fundou a Tertúlia BD de Lisboa, mantendo desde então uma presença regular na divulgação da BD e na dinamização de encontros, exposições e iniciativas relacionadas com a nona arte.

Como editor, esteve ligado a vários fanzines, entre os quais Eros, Tertúlia BDzine, Folha Volante, Autobiografias Ilustradas, Ad Hoc, Preciosidades da BD e Efeméride. Em parceria com Leonardo De Sá, foi ainda coautor de Dédalo dos Fanzines (1987).

O seu percurso cruza-se igualmente com a própria banda desenhada enquanto personagem. Geraldes Lino surge, entre outras obras, em Menatek Hara, de Luís Louro e Tozé Simões, e em As Aventuras de Herb Krox – O Homem de Neandertal, de Luís Filipe Diferr.

A atribuição dos Prémios Anim’Arte a João Amaral e Geraldes Lino reconheceu, assim, dois percursos distintos dentro da BD portuguesa: por um lado, o trabalho de criação e ilustração de João Amaral; por outro, o longo percurso de Geraldes Lino enquanto divulgador, investigador, crítico, coleccionador e dinamizador da banda desenhada em Portugal.

As fotos do Geraldes Lino e do João Amaral foram retiradas do Tex Willer Blog.
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