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SUMMARY:Exposição Caderno de Memórias Coloniais
DESCRIPTION:Esta não é a primeira vez que Júlia Barata mostra o seu trabalho na Tinta nos Nervos. As pranchas longilíneas de Família foram mostradas acompanhando o lançamento do respectivo livro (editado pela Chili com Carne)\, e nelas sobressaia a enorme liberdade com que a artista articulava toda a narrativa\, sem grelhas ou enquadramentos muito estritos\, com desdobramentos de personagens que ocupavam o espaço com uma fluência que parecia acompanhar o correr do pensamento pelo registo aparentemente imediatista do traço e da coloração. \n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nAgora Júlia Barata regressa com novos desenhos\, as pranchas integrais da adaptação\, a banda desenhada\, do Caderno de Memórias Coloniais\, de Isabela Figueiredo\, com quem trabalhou em estreita colaboração e a seu convite\, para reformular o livro originalmente editado em 2009 e\, mais tarde\, em 2015\, pela Caminho que assegura igualmente a edição do Caderno ilustrado. \n\n\n\nNum relato forte e desassombrado\, as memórias da escritora\, que nasceu e cresceu em Moçambique durante o período colonial\, são revisitadas e questionadas com a distância dos anos pós-independência e a lonjura geográfica de um contexto renovado. \n\n\n\nPara a construção de um caderno gráfico de memórias a partir do livro foi necessário depurar o original de modo a ancorar o novo relato em pedaços biográficos\, episódios reflexivos chave que serviram de base à concepção e manuseio da arquitectura visual\, num processo sempre discutido a par. \n\n\n\nÀ densidade descritiva\, pessoal e contextual da escrita de Isabela Figueiredo\, Júlia Barata acrescentou camadas de leitura. E estas prendem-se com o modo como construiu a sequenciação do que é narrado (uma imagem-vinheta por página com grandes pedaços de texto) e de todo o ambiente\, através de aspectos como: a angulação das cenas e enquadramentos que intensificam o dramatismo; a caracterização dos personagens que partindo do real se tornam\, pelo desenho\, passiveis de representar tantos outros intervenientes anónimos; o modo dinâmico como os personagens por vezes se desdobram no tempo\, nas falas dentro da mesma vinheta; o cromatismo utilizado como totalidade ou pontuação significativa na página em que o desenho se traça a linha de caneta; o recurso à aguarela e à aguada que envolve ou por vezes isola os personagens numa espécie de nevoeiro ou enfoque cenográfico que\, em termos materiais\, sustém a narrativa numa fisicalidade quase palpável\, intensa e próxima do leitor. \n\n\n\nA exposição organiza-se de forma a criar a sequenciação completa das pranchas para que seja dada a possibilidade ao visitante de não apenas selecionar pedaços do enredo mas de se embrenhar nele\, numa relação fisicamente diversa da que acontece ao folhear o livro. “Gostava que se conseguisse ler o livro todo. Vai ser um momento único porque depois as pranchas começarão a ser dispersas e esta experiência desaparece com o final da exposição” referiu a artista. Ficará a novela gráfica\, acessível a todos os públicos. \n\n\n\nJúlia Barata (Coimbra\, 1981)\n\n\n\nArquiteta e ilustradora\, reside em Buenos Aires. Autora das novelas gráficas Família (Chili com Carne)\, Gravidez e Quotidiano de Luxo (Tigre de Papel). Expôs em Bienal de San Juan\, Salón Nacional de las Artes (3° prémio desenho 2022\, Argentina)\, UIVO mostra de ilustração da Maia (PT)\, Centro Cultural de la memória Haroldo Conti\, CC recoleta\, Museu do Humor (Argentina). Faz animação experimental (premiada IndieLisboa 2022\, PortoFemme 2023). Docente de workshops e da FADU- Universidade de Buenos Aires (cátedra Ilustración Roldán). \n\n\n\nIsabela Figueiredo (Lourenço Marques Maputo\, 1963) \n\n\n\nEscritora e jornalista\, Isabela Figueiredo nasceu em Lourenço Marques\, Moçambique\, hoje Maputo\, em 1963\, filha de portugueses oriundos da zona Centro-Oeste de Portugal. Após a independência de Moçambique\, em 1975\, rumou a Portugal. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas\, variante de Estudos Portugueses\, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Especializou-se em Estudos sobre as Mulheres na Universidade Aberta. Trabalhou como jornalista no Diário de Notícias entre 1988 e 1994\, onde foi também coordenadora do suplemento DN Jovem. Foi professora de português no ensino secundário. Escreveu Caderno de Memórias Coloniais\, cuja edição francesa foi finalista do Prémio Femina Estrangeiro\, e A Gorda\, obra que recebeu o Prémio Literário Urbano Tavares Rodrigues. Estas duas obras alcançaram grande êxito junto do público e da crítica\, especialmente em Portugal\, sendo constantemente reimpressas.
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LOCATION:Tinta nos Nervos\, Rua da Esperança 39\, Lisboa\, Lisboa\, 1200-655\, Portugal
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